Uma camada grossa sobre a outra, que o tempo dilacera. Corpo que se pergunta, confunde-se, perdoa e agride.
Quem está dentro de mim?
Prometi perdão ao mundo mas era mentira, culpo a camada grossa que me cobre por isso.
Anos atrás com dentes tortos e agora com grades impedindo o sorriso, é estética. Mal sei sabendo que daqui alguns anos isso não valerá de nada, eles apodrecerão como a minha carne embaixo da terra em um futuro creio eu ainda mais distante.
Alma, corpo, cérebro, sentimento, perfil. O perfil que me cobre e que desejo mostrar ao mundo da cegueira branca. Já que todos estão cegos não me vejam.
Abri a mão e com um olhar profundo vi as minhas chagas, ao mesmo tempo tenho descascado como uma pintura velha. Mas já que estão cegos prefiro que não me vejam.